Varizes Pélvicas - Dr. Rodrigo Bono Fukushima

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Varizes Pélvicas

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Entenda um pouco sobre o assunto...

As varizes pélvicas são veias dilatadas, tortuosas e com função comprometida dentro da cavidade abdominal, predominantemente ao redor do útero e dos ovários.

Imagem Varizes Pélvicas

Constituem uma das causas de dor na região inferior do abdome (pélve). As mulheres que apresentam este quadro queixam-se de desconforto durante ou após a relação sexual, cólicas menstruais muito intensas, sangramento menstrual exuberante, dor abdominal durante ou após atividade física intensa e dor, peso e cansaço nos membros inferiores durante o período menstrual. Eventualmente podem aparecer veias dilatadas na região da vulva, vagina, glúteos ou na parte mais alta da coxa. Esse quadro é conhecido como Síndrome de Congestão Pélvica.

Vale lembrar que as veias da pélve se comunicam diretamente com as veias das pernas. Por isto, alterações nas veias pélvicas pode ser uma causa para as varizes dos membros inferiores. Por esta razão é importante descartar esta condição em casos suspeitos antes de se iniciar o tratamento das varizes dos membros inferiores. Pelo mesmo motivo, a presença de varizes pélvicas é causa do reaparecimento de varizes dos membros inferiores em pacientes não diagnosticados.

Nos pacientes com varizes pélvicas que apresentam os sintomas acima mencionados e nas pacientes com recidiva de varizes nas pernas após cirurgia, deve-se considerar o seu tratamento.

Qual a causa das varizes pélvicas

Assim como nas varizes dos membros inferiores, a principal causa para as varizes pélvicas é genética. A pessoa apresenta tendência hereditária para o seu desenvolvimento. Nestas pacientes, ocorre enfraquecimento e dilatação das veias pélvicas (gonadais, ovarianas e ilíacas internas) com o passar do tempo. Alguns fatores podem acelerar ou até mesmo desencadear este processo. A gestação é um dos principais fatores. O aumento do tamanho do útero leva naturalmente à compressão das veias pélvicas. Nas pacientes com predisposição, este fator favorece o aparecimento das varizes pélvicas, assim como na região genital e nas pernas.

Imagem Varizes Pélvicas - Veia Gonadal

Outra causa para o aparecimento das varizes pélvicas são as Síndromes Compressivas Venosos (Síndrome de Cockett - May Thurner e a Síndrome de Nutcraker ou "Querbra-Nozes").

Na Síndrome de Cockett, também conhecida como Síndrome de May-Thurner, ocorre compressão da veia iíaca comum esquerda pela artéria ilíaca comum direita contra a coluna vertebral. A veia ilíaca comum esquerda drena o sangue da perna esquerda. Por isto, quando ocorre sua compressão, surgem dor, inchaço e varizes no membro inferior esquerdo. Da mesma forma, parte da drenagem de sangue da região pélvica é realizada por esta veia, daí o aparecimento das varizes pélvicas.

Na Síndrome de Nutcraker ("quebra-nozes"), ocorre compressão da veia renal esquerda entre a artéria mesentérica superior e a aorta abdominal. A veia gonadal esquerda drena na veia renal esquerda e, por conta da compressão, o sangue tem dificuldade em retornar. Isto leva ao acúmulo de sangue e congestão da veia gonadal esquerda, consequentemente, surgem as varizes pélvicas. Na compressão da veia renal esquerda, além das varizes pélvicas, pode ocorrer dor lombar esquerda e perda de sangue na urina (hematúria).

Imagem Síndrome Cockett May Thurner
Imagem Síndrome Nutcracker
 

Quando suspeitar?

Devemos suspeitar de varizes pélvicas em pacientes que apresentam dor durante e após a relação sexual, varizes na região da vulva, vagina e glúteos, recidiva de varizes após cirurgia e em pacientes com dor pélvica crônica.

É sempre importante avaliação por um cirurgião vascular. O exame de ultrassom doppler transvaginal venoso auxilia no diagnóstico, pois permite visualização da circulação pélvica. Normalmente são necessários outros exames para complementar a investigação e para planejamento do tratamento.

 

Tratamento

O tratamento das varizes pélvicas pode ser realizado com o uso de medicações para controle dos sintomas, mas em algumas situações torna-se necessário o tratamento endovascular, com embolização.

O procedimento é realizado em hospital, com anestesia local ou com sedação leve. O procedimento dura cerca de 2h e a alta é no mesmo dia ou no dia seguinte ao procedimento. Não há necessidade de internação prolongada.

O procedimento é cirúrgico, mas minimamente invasivo, realizado através de uma pequena punção na virilha, no braço ou no pescoço; sem a necessidade de cortes.

Imagem Varizes Pélvicas - Introdutor

Através do ponto de punção são inseridos cateteres até a veia ovariana e até as varizes pélvicas. São então injetados agentes embolizantes (molas, cola ou espuma), que bloqueiam o fluxo de sangue e levam ao fechamento das varizes pélvicas.

Nos primeiros dias após o procedimento os pacientes podem apresentar cólicas abdominais, fazendo-se necessário o uso de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios.

Imagem Varizes Pélvicas - Cola

A melhora dos sintomas ocorre já nas primeiras semanas, com resolução dos sintomas em cerca de 80-100% dos casos. Pode ocorrer recidivas a longo prazo em até 8% das pacientes, devendo ser mantido acompanhamento médico após o procedimento.

 
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